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Construção e IA

Athié Wohnrath põe a IA para conferir a papelada dos terceirizados e contar equipamentos em planta de obra

A construtora passou a validar holerites e cartões de ponto de fornecedores com 97% de acerto e poupa R$ 40 mil por mês nessa conferência. Na engenharia, o levantamento de uma planta caiu de três horas para 25 minutos.

Da Redação · São Paulo · 7 min de leitura
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Átrio de pé-direito alto com três andares de galerias, lustres pendentes e piso claro, no prédio da B3 em São Paulo
Átrio do prédio da B3, em São Paulo, em projeto da Athié Wohnrath. A construtora trabalha com mais de 10 mil terceirizados, e cada um só entra na obra com a documentação conferida.FD Fotografia/Divulgação Athié Wohnrath

Nenhum operário terceirizado entra num canteiro da Athié Wohnrath sem a documentação em dia. A construtora paulistana, fundada em 1994 e responsável por mais de 32 milhões de metros quadrados de escritórios, fábricas, hospitais e escolas, trabalha com mais de 10 mil terceirizados. Cada fornecedor manda os papéis de cada funcionário: holerite, cartão de ponto, certificado de treinamento, programa de gerenciamento de risco. Uma equipe da construtora conferia tudo à mão, documento por documento.

Hoje, holerites e cartões de ponto passam primeiro por um sistema construído pelo Studio Artemis, empresa de tecnologia que desenvolve sistemas de IA para indústria e construção. Comparado ao veredito da equipe que fazia a conferência, o sistema acerta 97% das decisões. Pelas contas do Studio Artemis, a mudança tira R$ 40 mil por mês do custo da conferência, e isso considerando só esses dois documentos.

A matéria em números

  • Economia por mêsR$40milna conferência de holerite e cartão de ponto de terceirizados
  • Acerto97%das decisões iguais às da equipe que conferia os documentos
  • Planta levantada25minde processamento. Na contagem manual, cerca de 3 horas de engenheiro
  • Terceirizados10milnas obras da construtora, cada um com a própria pasta de documentos

O sistema de documentos, chamado WControl, foi o primeiro de dois que a construtora pôs em produção com o Studio Artemis. O segundo lê plantas de arquitetura e devolve a lista de equipamentos que vai para a cotação dos fornecedores.

Mil páginas e uma assinatura recortada

Vista do alto de uma obra, com a laje em concretagem, guindaste amarelo e operários trabalhando
Obra da Athié Wohnrath. O acesso de cada trabalhador ao canteiro depende da documentação de segurança em dia.Divulgação/Athié Wohnrath

A conferência parece simples até o primeiro lote. Alguns documentos passam de mil páginas. Outros chegam como foto de celular, quase ilegíveis. Parte deles só faz sentido cruzada com outra peça, como o programa de gerenciamento de risco do fornecedor, que precisa bater com a situação de cada funcionário listado nele. E existe a fraude: o prestador que recorta a imagem de uma assinatura válida e cola em outros documentos para ganhar tempo.

A Athié já havia tentado automatizar a tarefa por conta própria. Depois de oito meses, o sistema interno não tinha chegado à produção. O desenho previa, nas palavras de Willy Azevedo, líder técnico de IA do Studio Artemis, “um prompt mágico que faz tudo”: o documento entraria numa única instrução para a IA, e o veredito sairia do outro lado.

O contato com o Studio Artemis veio pelo LinkedIn, e o pedido da área de inovação da construtora era amplo: “implementar inovação na empresa”. O contrato foi fechado por horas, sem escopo definido e com a possibilidade de cancelamento se o resultado não viesse. Antes de propor qualquer sistema, a equipe fez três perguntas: quais são as áreas da empresa, que processos mais pesam em cada uma e o que já foi tentado. A conferência de documentos saiu desse mapa como a primeira frente.

Um gabarito antes da máquina

O primeiro pedido do Studio Artemis foi uma amostra: documentos que a equipe da Athié já tinha conferido, com a decisão de cada conferente registrada ao lado. Essa amostra virou o gabarito. O sistema rodava sobre ela, uma planilha punha a resposta da IA ao lado da resposta humana, e cada divergência era examinada. Quando a IA errava, a regra mudava. Quando o erro era da pessoa, o caso saía do gabarito.

A tela que o gestor usa hoje só foi construída depois que holerite e cartão de ponto estabilizaram em 97% de acerto. Documentos longos ganharam um caminho próprio de leitura. A assinatura digital passou a ser validada no serviço do Gov.br, e as imagens de cada PDF passaram a ser separadas e comparadas, o que expõe a assinatura colada em mais de um arquivo. Critérios que se repetem em vários documentos, como a checagem de CPF e CNPJ, viraram regras únicas: o gestor muda num lugar só, e a mudança vale para todos.

Laboratório de teste · reconstituição

Lote 14: holerites, cartões de ponto e certificados

Seis casos que a equipe já havia conferido, com a resposta dela ao lado da resposta da IA.

DocumentoEquipeIAResultado
HoleriteFornecedor 1AprovaAprova
Cartão de pontoFornecedor 1Reprovajornada sem intervaloReprovajornada sem intervalo
Certificado NR-35Fornecedor 2ReprovavencidoReprovavencido
HoleriteFornecedor 3AprovaReprovaassinatura idêntica à de outros 3 arquivos!
Programa de riscoFornecedor 2AprovaAprova
Cartão de pontoFornecedor 3AprovaAprova

5 de 6 iguais ao gabarito. A divergência vai para o gestor, que confere o caso antes de a regra subir para produção.

Reconstituição da tela do laboratório de teste do WControl, feita pelo Studio Artemis com casos fictícios. Os documentos reais têm dados pessoais e não são reproduzidos.Reconstituição/Studio Artemis

A peça que mudou a relação com a área foi esse laboratório, embutido no próprio sistema. O gestor sobe um lote de documentos com a resposta certa, roda a IA, vê a comparação caso a caso e decide se a versão nova vai para produção. Nenhuma regra muda sem passar por ali. O gestor responsável pela frente recebeu um prêmio interno da Athié pelo projeto, e os outros tipos de documento entram no sistema em sequência.

Entenda

Por que a conferência só entrou em produção com gabarito

O plano anterior · uma instrução para tudo

Documentoholerite, ponto, certificado de mil páginas
um prompt só
IA genéricadecide tudo de uma vez
veredito
Resposta sem medidaninguém sabe quanto acerta

Sem uma amostra com a resposta certa, não há como saber se o sistema acerta 60% ou 95% dos casos, e nenhum gestor assina embaixo.

O método que foi a produção · gabarito, regras e laboratório

Amostra com gabaritodocumentos que a equipe já conferiu
comparação caso a caso
Regras por tipoholerite, ponto, assinatura, CPF e CNPJ
laboratório de teste
Produçãosó depois que o gestor aprova

Quem decide o que sobe é o gestor da área. Cada regra nova passa pelo laboratório antes de valer para os documentos de verdade.

O WControl funciona ao lado dos sistemas da Athié Wohnrath e não tem acesso ao banco de dados da construtora.

A planta que levava três horas

Com o primeiro sistema rodando, a área de inovação abriu caminho até os gestores dos outros setores. Segundo Willy, eles chegaram dizendo: “agora vão resolver todos os nossos problemas”. O orçamento de obras trouxe o problema mais caro de errar.

Obra vista do alto, com estrutura metálica de cobertura em montagem, guindaste e área verde ao redor
Obra da Athié Wohnrath em estrutura metálica. Dutos, cabos e aparelhos de cada projeto saem da planta para a planilha de orçamento.Divulgação/Athié Wohnrath

Antes de uma obra ser orçada, um engenheiro abre a planta de arquitetura e conta tudo o que ela pede: aparelhos de ar-condicionado, metros de duto, cabos, equipamentos. A contagem vira a planilha que os fornecedores cotam. Se o engenheiro conta de menos, a obra sai no prejuízo. Se conta de mais para se proteger, o preço sobe e a concorrência leva o contrato. A equipe já tinha testado um agente de IA de uso geral, e os resultados vinham sem padrão, cada vez de um jeito.

A saída veio do processamento de imagem de satélite. Uma planta tem traço fino demais para ser lida inteira de uma vez, então o sistema a corta em pedaços que se sobrepõem, lê cada pedaço e depois elimina as repetições pelas coordenadas de cada item, como se faz com fotos aéreas muito grandes. O engenheiro sobe o PDF e marca onde estão as tabelas, o desenho, a legenda e o selo. Cada tipo de tabela tem um leitor próprio.

Depois, o sistema cruza o que está nas tabelas com o que aparece no desenho, e é nessa etapa que surge o equipamento que o projetista desenhou e esqueceu de listar. Cada item vem com um grau de confiança: alto quando a etiqueta estava clara, baixo quando a máquina precisou deduzir pelos elementos vizinhos. Na revisão, o engenheiro clica numa etiqueta e o sistema mostra onde ela está na planta.

Leitura de planta · 3º pavimentoreconstituição com planta fictícia
AC-01AC-02 AC-03AC-04 AC-06AC-07 AC-08AC-09 AC-10AC-11 1 2 3 4 5 6 Fora da tabela AC-05 só no desenho
pedaço de leitura, com sobreposiçãodutoevaporadora

O que o sistema listou

  • Evaporadora cassete 24.000 BTU7alta
  • Evaporadora hi-wall 12.000 BTU3alta
  • Duto rígido 500 × 300 mm84 mmédia
  • Duto flexível Ø 200 mm37 mmédia
  • Grelha de retorno18baixa
  • AC-05, desenhada e fora da tabela1revisar
Reconstituição, com planta fictícia, de como o sistema divide o desenho, lista os itens com grau de confiança e aponta o que falta na tabela do projetista.Reconstituição/Studio Artemis

O levantamento de uma planta caiu de cerca de três horas de engenheiro para 25 minutos de processamento. O engenheiro continua com a palavra final, só que agora revisa uma lista pronta em vez de contar item por item.

Carta branca

O sistema de plantas, chamado internamente de Supply Map, foi mostrado a um integrante do conselho da construtora e depois ao CEO, que autorizou levar o método a outros setores. Veio também um efeito que ninguém tinha pedido. Como o sistema acusa duto sem medida, a Athié passou a exigir dos projetistas terceirizados que marquem as dimensões em todos os dutos das plantas que entregam.

Nas duas frentes, o Studio Artemis não pediu acesso ao banco de dados da construtora nem mexeu nos sistemas que já existiam. Os documentos e as plantas entram, a resposta sai, e a área de tecnologia da Athié continua cuidando do resto. Segundo Willy, é assim que a equipe se apresenta a qualquer departamento de TI:

Não vamos mexer no seu sistema. Mandam os documentos aqui, processamos, devolvemos a resposta.

Willy Azevedolíder técnico de IA do Studio Artemis
Porta de ferro verde com moedas em relevo na entrada do prédio da B3

Quem é

Athié Wohnrath

Construtora e escritório de arquitetura corporativa fundado em 1994 por Sérgio Athié e Ivo Wohnrath, em São Paulo. Projeta e constrói escritórios, fábricas, hospitais e escolas. Soma mais de 32 milhões de metros quadrados construídos e 109 certificações LEED, segundo a empresa.

Os dois sistemas resolvem problemas que aparecem, com o mesmo formato, em outros setores. Conferir documento contra regra aparece em compras, RH e jurídico de qualquer empresa com muitos terceirizados. Tirar quantidade de desenho técnico aparece no orçamento de instalações elétricas e hidráulicas e na metalurgia. Na Athié, os dois começaram por um diagnóstico da operação, o mesmo que o Studio Artemis agora oferece a outras construtoras e indústrias.

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O diagnóstico que encontrou os dois sistemas da Athié, feito na sua operação

Na Athié, os dois sistemas saíram de um mapeamento feito antes de qualquer linha de código. É por ele que começamos com qualquer empresa: um dia dentro da operação, com quem decide, para achar o processo em que a hora do especialista sai mais cara e medir quanto ele custa por mês.

O que você leva do diagnóstico

  • O mapa das tarefas que mais consomem engenheiro, analista e gestor na sua empresa.

    Área por área, com as horas que cada tarefa leva por mês e o que já foi tentado para resolver. Na Athié, foi esse mapa que pôs a conferência de documentos no começo da fila.

  • Quanto cada uma custa por mês, em reais.

    A mesma conta que mostrou os R$ 40 mil mensais na conferência de holerite e cartão de ponto. Processo cujo erro não tem preço conhecido fica fora do plano.

  • Um protótipo rodando no problema mais caro, com os seus documentos, planilhas ou desenhos.

    Você vê a máquina acertar e errar numa amostra que a sua equipe já conferiu, antes de decidir qualquer investimento.

  • O plano de implementação por fase, com o retorno estimado de cada uma.

    Qual frente vem primeiro, quanto tempo leva e com que nível de acerto ela entra em produção.

  • Um projeto que não pede acesso ao seu banco de dados.

    Os arquivos entram, a resposta sai. ERP, CRM e sistemas internos continuam como estão, com a sua equipe de TI.

O mapa, a conta e o protótipo ficam com você, mesmo que a implementação não seja feita com a gente.

Como funciona

  1. 1
    Conversa. Você conta qual processo pesa mais, e a gente confere se o diagnóstico serve para o seu caso.
  2. 2
    Imersão. Um dia dentro da operação, com as pessoas que decidem. Presencial quando o problema exige.
  3. 3
    Protótipo e plano. O protótipo no problema mais caro e o plano por fase, com o retorno estimado.
  4. +
    Duração: de 4 a 6 semanas, com a imersão logo no começo.

Quando não é para você

Se o erro do processo não tem custo que dê para medir, ainda não é hora. Também não implantamos ERP nem CRM, não vendemos licença de software e não fazemos chatbot de atendimento. Construímos sistemas que tomam decisões técnicas em cima do que a sua empresa já usa.

Diagnóstico de operação · Studio Artemis

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Você deixa seus contatos e responde três perguntas sobre a operação. A equipe responde em até 1 dia útil para marcar a conversa.

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Seus dados vão para a equipe do Studio Artemis e servem só para marcar esta conversa.

Retrato de Willy Azevedo

Quem conduz o diagnóstico

Willy Azevedo

Líder técnico de IA do Studio Artemis. Esteve à frente dos sistemas de conferência de documentos e de leitura de plantas da Athié Wohnrath.

P.S. O pedido inicial da Athié era “implementar inovação na empresa”. O diagnóstico transformou esse pedido em dois sistemas em produção, e o primeiro deles poupa R$ 40 mil por mês.

Fontes